“Ela não tem granja nem rinha, mas transforma pintos em galos de briga”, “Essa mulher é como um técnico de som – se precisar, ela aumenta o volume pra você”, “Ela é uma artista, só faz Picasso!”. Piadinhas da 5a série como essas fazem parte da rotina de Fernanda Porsch, 35, biomédica gaúcha que há pouco mais de quatro anos se especializou em harmonização íntima masculina – conjunto de procedimentos estéticos que visam aumentar as dimensões penianas, rejuvenescer e embelezar a área genital ou corrigir pequenos “defeitos” como excesso de prepúcio e curvaturas acentuadas no corpo do pênis.
Em sua clínica em Itajaí (SC), ela diz já ter aumentado o volume e a autoestima de mais de 2.000 homens. “Em quatro anos, eu já celebrei mais intervenções exitosas do que os gols marcados e comemorados pelo Cristiano Ronaldo em suas duas décadas de carreira”, vangloria-se a profissional, que entre os adeptos da harmonização íntima é conhecida como “Rainha do Pênis”.
Formada em Biomedicina em Santo Ângelo (RS) e com residência em medicina estética em Harvard, Fernanda não se importa com o apelido ou com os comentários jocosos sobre seu ofício e até entra na brincadeira. “Para a grande maioria dos homens, esse é um assunto delicado e que nem sempre é fácil de acessar. Por isso é que eu faço questão de sempre trazer uma leveza ao tema, para romper bloqueios e barreiras. Meu marido, que me ajuda aqui na gestão do dia a dia na clínica, também prefere essa abordagem bem-humorada. E o meu trabalho ainda funciona como inspiração para o hobby dele: fazer stand-up comedy!”, pondera Fernanda.
Em sua clínica instalada num prédio com vista para o estuário do rio Itajaí-Açu e para uma praia com o sugestivo nome de Cabeçudas, os clientes são submetidos ao Método Porsch, um protocolo desenvolvido pela própria Fernanda, que inclui intervenções terapêuticas capazes de alongar o pênis (como a lipoaspiração a laser da gordura do púbis e exercícios para relaxar o ligamento que prende a base do órgão genital aos ossos da pélvis) ou mesmo um tratamento para a redução das rugas da bolsa que envolve os testículos, o Escrotox, que deixa o velho e bom “saco” mais liso e menos velho por meio de aplicações de botox.
Mas o carro-chefe da casa, o tratamento que é solicitado pela esmagadora maioria dos clientes, é o aumento da circunferência peniana. Estudo publicado no “Journal of the European Association of Urology” revelou que, para 32% das mulheres que participaram da pesquisa, a grossura do pênis é mais importante que o seu comprimento. Para 77% delas, a extensão é pouco importante ou simplesmente irrelevante. O engrossamento se dá por conta de um preenchimento feito com ácido hialurônico – substância biocompatível, segura, autorizada pela Anvisa e que é também utilizada nas harmonizações faciais. O pioneiro nessa técnica foi o cirurgião plástico britânico Gary Horn, que começou a fazer preenchimentos penianos em Londres no ano de 2017. Inicialmente, a técnica era chamada de faloplastia ou bioplastia peniana – a denominação “harmonização peniana” é uma versão brasileira criada para pegar carona no boom da harmonização facial. Mas não se assuste: depois de “harmonizado”, não há nenhuma chance de o seu amigão ficar com a cara do Diego Hypólito ou do Stênio Garcia.
“A técnica surgiu na Europa, mas rapidamente chegou ao Brasil, e hoje o nosso país é uma das “mecas” desse assunto, assim como somos referência em cirurgia plástica. Minha clínica monta pacotes para estrangeiros virem até aqui para fazer o procedimento, incluindo a viagem e a estadia. E eu também dou cursos e atuo no exterior. Em fevereiro, por exemplo, atenderei nos Estados Unidos, em Nova York e em Boston”, conta Fernanda, que uma vez por mês vai a São Paulo para fazer uma bateria de procedimentos, sempre com a agenda cheia. Nessas passagens pela capital paulista, ela chega a resolver os problemas de dez pacientes num mesmo dia. “É literalmente uma pauleira!”, ri.
Durante o procedimento, feito com anestesia local e em geral com menos de uma hora de duração, cada paciente recebe algo entre 10 e 20 ml de ácido hialurônico por meio de uma cânula que injeta a substância num espaço entre as fáscias superficial e profunda (membranas que envolvem o corpo do pênis sob a pele). O resultado é instantaneamente perceptível, mas o pós-operatório exige pelo menos duas semanas sem relações sexuais e com automassagens para incrementar a distribuição e a fixação da substância preenchedora no local e na forma desejada. O incremento pode ser de 1,5 cm até 4 centímetros na circunferência, de acordo com a quantidade de ácido hialurônico injetada e de acordo com o calibre original da pistola. E o preço também varia em função do total de mililitros utilizados. Os valores geralmente cobrados começam na faixa dos R$ 8 mil.
Trata-se de um procedimento seguro e com poucas intercorrências – principalmente quando feito por profissionais habilitados e que usam preenchedores de boa qualidade. Os problemas mais comuns são o aparecimento de inchaço ou pequenos hematomas, que tendem a sumir em poucos dias. O índice de sucesso dos procedimentos de engrossamento peniano baixou muito desde que ele passou a ser feito com ácido hialurônico. Até alguns anos, profissionais utilizavam o PMMA (polimetilmetacrilato) nesse preenchimento. Só que essa substância não é absorvível pelo organismo, em muitos casos se entremeia nos tecidos e, por ser de complexa remoção, pode gerar complicações sérias como reações alérgicas, processos inflamatórios, necroses e até amputação.
Fernanda só se recorda de quatro intercorrências mais graves em seus milhares de procedimentos, mas todos os casos envolveram pacientes indisciplinados. “Três tiveram pequenas inflamações por não seguirem à risca as minhas instruções para o pós-operatório, e o quarto transou poucos dias após a aplicação, gerando um deslocamento do produto.” Os preenchimentos feitos com ácido hialurônico são reversíveis e podem ser removidos com o auxílio de uma enzima que os dissolve. E o efeito gerado pela substância também não é permanente: após 10 a 18 meses, ele é absorvido pelo organismo e “perde sua validade”. É por isso que muitos homens que ficaram animados com os resultados de sua primeira harmonização sempre retornam no ano seguinte e para fazer uma nova aplicação.
Tem gente que faz isso com ainda mais regularidade. O biomédico cearense Pedro Sousa faz reposições a cada seis meses. Em abril de 2025, ele viralizou na internet ao postar uma autoaplicação de ácido hialurônico em seu próprio bilau. “Quando percebo que a substância começa a ser absorvida pelo meu organismo, dou um retoque”, explica o profissional, que é um homem com, lá vem!, “lugar de falo”. Ele tem o conhecimento teórico e prático da coisa, já sentiu na pele as dores e as delícias de ter um pênis engrossado. Pedro tem uma clínica em Vitória (ES), mas também atende eventualmente em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Ele é o autor do protocolo MAM (“Male Augmentation Mastery”), que já está sendo adotado até em Portugal por alunos de seus cursos.
Além de trabalhar com o ácido hialurônico, Pedro também utiliza PDRN, um estimulador de colágeno proveniente do esperma de salmão. Essa substância, injetada no mesmo espaço entre as já citadas fáscias do pênis, faz o tecido conjuntivo ali localizado iniciar um processo de espessamento e enrijecimento. “O engrossamento feito com esse produto também é um procedimento transitório, precisa ser refeito anualmente. Mas tem como resultado um aspecto bem mais natural no visual e no toque do que o preenchimento que já está largamente difundido. Fica mais harmonioso – e estamos falando justamente de harmonização, não é?”, questiona Pedro. Além da autoaplicação, o terapeuta ficou famoso também por ter feito o engrossamento do pênis do ator pornô Kid Bengala. Isso mesmo: até o dono de uma estrovenga de inacreditáveis 33 cm de comprimento se sente insatisfeito com o tamanho de seu pênis. “Quando ele chegou, eu não entendi nada, mas ele estava convicto e disse que ‘Não há nada tão bom que não possa melhorar’. Aí eu o examinei e fiz injeções que totalizaram cerca de 60 ml. E mesmo depois de tudo isso, eu diria que a diferença não foi grande…”, relata Pedro.
O caso do sr. Bengala ilustra bem o que diz uma nota publicada pela Sociedade Brasileira de Urologia a respeito dessa febre da harmonização peniana: “A maioria dos homens que procura por procedimentos estéticos penianos é portadora de um pênis normal, sem anormalidades ou defeitos anatômicos. Cabe ao profissional que se propõe a fazer estes procedimentos identificar aqueles que têm um transtorno dismórfico-corporal, uma doença mental que se caracteriza pelo foco obsessivo em uma característica corporal, levando à busca abusiva e arriscada por procedimentos estéticos”. O urologista Rodrigo Trivilato, 45, que comanda uma clínica em Goiânia que é das mais requisitadas para procedimentos de harmonização peniana, recusa vários atendimentos por acreditar que, em muitos dos casos, a única referência do paciente é apenas o exagero dos astros pornô. “O cliente perfeito é um homem com uma vida sexual saudável e com expectativas realistas. A minha entrevista com o paciente demora algo entre 40 minutos e uma hora, enquanto o procedimento em geral não passa de 20 minutos. É muito importante alinhar as expectativas e dar informação a quem aparece para fazer engrossamento. A maior parte dos homens que chegam aqui tem um pênis com dimensões absolutamente normais, muitos acima da média, inclusive. Quando eu explico isso, parece que uma Porta da Esperança se abre para eles. Eu me recuso a fazer preenchimentos muito volumosos e não atendo menores de 21 anos”, avisa.
Outro urologista ouvido pela “Esquire Brasil”, o dr. Paulo Henrique Egydio, que atua em São Paulo e em Portugal, lamenta que não médicos venham fazendo esses procedimentos. “A anatomia do pênis é muito complexa e delicada, com muitos vasos sanguíneos, numerosas enervações e alta sensibilidade. Qualquer erro pode deixar sequelas terríveis. Nesses últimos anos, alguns consultórios de urologistas viraram verdadeiros prontos-socorros para corrigir os erros de profissionais de outras especialidades que se oferecem para fazer harmonização. Mas neste momento não há muito o que fazer, pois essa prática ainda não está devidamente regulamentada”, observa.
Dr. Egydio faz procedimentos pouco invasivos e efêmeros, como o preenchimento com ácido hialurônico, mas também oferece uma cirurgia que tem efeitos permanentes. Ela serve tanto para quem quiser alongar ou engrossar o pênis. A chave do tamanho é a chamada túnica albugínea, um envelope fibroso que encapsula os corpos cavernosos do pênis. É ela quem limita a expansão desses tecidos, que se locupletam de sangue durante a ereção. Fazendo microincisões nessa membrana, ela se transforma em uma “rede” capaz de se expandir, possibilitando que o pênis ganhe circunferência ou comprimento. Se os cortes são feitos na vertical, a túnica se dilata lateralmente deixando o pênis mais grosso; se os cortes são horizontais, a película se expande no sentido longitudinal e o pênis fica mais “alto”. Dr. Egydio é também especialista na correção de pênis com curvatura muito acentuada. Para corrigir essas deformações, ele usa técnicas que alongam o lado mais curto ou encurtam o lado mais longo do Tchan. Com isso, ele subverte o dito popular “pau que nasce torto nunca se endireita”!
Essas são apenas alguns dos recursos adotados por quem está insatisfeito com o que Deus lhe deu. Mas existem outras muitas possibilidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, a nova trend é o pearling – uma prática ancestral “importada” de países como Tailândia, Indonésia e Filipinas que consiste na introdução de pequenas esferas de marfim, titânio ou silicone sob a pele do pênis para deixar a superfície do falo mais “acidentada”. Segundo relatos de quem já instalou essas “pérolas” (daí o nome), as protuberâncias criadas por essas bolinhas proporcionam sensações intensas de prazer às parceiras no momento da penetração. Mas esse é um assunto que vai ficar para uma próxima reportagem…