
Em um período marcado – e assombrado – pelo surgimento de bandas e artistas cyborg, criados por IA, a música que nos moveu foi aquela de sempre, feita por artistas humanos e imperfeitos como nós, em momentos de grande inspiração. Foi o ano em que Gaby Amarantos virou o jogo do tecnobrega, Bad Bunny falou de orgulho e respeito em espanhol bem claro, as Guerreiras do K-Pop afastaram os demônios das pessoas cantando e Rosalía mostrou que luxo, às vezes, significa não seguir regra alguma. Confira a lista de dez discos incríveis de 2025 que a “Esquire Brasil” preparou para mexer com você.

1) “Rock doido” – Gaby Amarantos
Gaby Amarantos não foi “Game Changer” da “Esquire Brasil” à toa. Com “Rock doido”, a cantora paraense dá um novo colorido ao tecnobrega – som que a projetou há mais de uma década – e, de quebra, homenageia a cultura das aparelhagens em um ambicioso (e bem sucedido) projeto audiovisual. Mas não se confunda: o “rock” do título significa festa e não o som de guitarras.

2) “O mundo dá voltas” – BaianaSystem
Apesar das voltas que o mundo da música dá, a maior banda do Brasil segue firme e cada vez mais forte, com os pés no asfalto e o olhar afiado para o mundo ao seu redor, absorvendo em seu quinto álbum samba-reggae, dub, hip-hop e carimbó, numa viagem afropsicodélica na companhia de Gilberto Gil, Emicida, Dino d’Santiago e Kalaf Epalanga.

3) “Lux” – Rosalía
Ninguém avisou à Rosalía que o pop tem que ter forma de chiclete. Em “Lux”, a estrela espanhola oferece uma iguaria refinada para as massas, abraçando ópera, clássico, digital e orquestral, cantando sobre desejo, mortalidade e transcendência em várias línguas em um trabalho tão denso e rico que desafia o ouvinte a fazer algo improvável em tempos de prazeres baratos: prestar a atenção.

4) “Caro vapor II” – Don L
Em um ano em que grandes forças do hip hop nacional se consolidaram (BK, Baco Exu, Djonga), o rapper cearense conseguiu se destacar com um trabalho de rimas afiadas construídas em cima de uma rica base de samples (de Dorival Caymmi e Milton Nascimento a Ednardo e o Pessoal do Ceará), cuja estética se estende até o seu visual nos vídeos e no encarte, com looks em trajes reciclados.

5) “Pequena vertigem de amor” – Sessa
Fazendo justiça ao título, o álbum do cantor e compositor paulistano dá mesmo a impressão de uma pequena vertigem de amor, vivida em algum momento dos anos 70, com suas doces meditações sobre relacionamentos, paternidade e a própria existência (“Vale a pena”), embaladas por uma fina sonoridade MPB-jazz-funk que evoca desde Roy Ayers ao Tim Maia “racional”.

6) “K-Pop demon hunters soundtrack” – Vários
Música para crianças e adolescentes, dirá alguém sobre essa animação da Netflix sobre um grupo de cantoras que, nas horas vagas, alimentadas pela força dos seus fãs, viram guerreiras que lutam contra demônios. Mas há mais do que aparenta ser o filme mais assistido da história da plataforma. E é a sua trilha sonora que reflete isso melhor, ao misturar, de forma fluida, vozes em inglês e coreano em doze deliciosas jujubas pop que apontam para um mundo multicultural e integrado, para o pavor dos demônios reais que odeiam tudo isso.

7) “Debí tirar más fotos” – Bad Bunny
Um manifesto monumental sobre a história e a cultura de Porto Rico, em um tom de amor e resistência que não poderia ter surgido em melhor (ou pior) momento, logo após a chegada do sinistro rei laranja a um certo trono. Abordando temas como gentrificação e colonialismo, o álbum – um tour de force por salsa, bolero, dewbow, trap e, claro, reggaeton – é o retrato de um artista que se recusa a curvar-se ao poder imperial e, precisamente por isso, sai bem na foto.

8) “10” – Sault
O coletivo londrino, que surgiu em 2019, em meio à ascensão global do movimento Black Lives Matter, segue combinando ativismo com espiritualidade, sem nunca perder o embalo afrofuturista. No seu 12º álbum, o grupo – que tem entre seus integrantes Inflo, Cleo, Little Simz e Michael Kiwanuka – mais uma vez funde brilhantemente soul, r&b e house, de forma, ao mesmo tempo, acolhedora e motivadora.

9) “Astropical” – Astropical
Combinando a força do grupo colombiano Bomba Estéreo com a vitalidade da banda venezuelana Rawayana, o álbum de estreia do Astropical reúne doze ensolaradas canções – cada uma dedicada a um signo! -, que alinham espiritualidade e ecologia ((“Me passa (Piscis)), sem deixar passar as turbulências vividas pelos dois países ((“Una noche em Caracas (Tauro)), tudo num doce embalo de afrobeats, champeta, merengue e até baile funk.

10) “80 years -Tribute remixes Orquestra Afro-Brasileira” – Vários
“Fiquei arrepiado quando os músicos começaram a tocar”, disse Mario Caldato Jr à “Esquire Brasil” sobre a epifania do primeiro encontro com a Orquestra Afro-Brasileira e resultou no álbum ““80 anos”, de 2021, o primeiro de inéditas do grupo – pioneiro das linguagens do afrojazz no Brasil – em 50 anos. “Remixes” vai além, celebrando os encantos da OAB com versões feitas por Criolo, Emicida, Marcelo D2, Mixmaster Mike, Cut Chemist e Mexican Institute of Sound.